Eu sei quem eu sou quando estou calma.
Eu sou outra coisa, com raiva.
Eu não chegaria tão perto se fosse você.
Do alto pico da minha fúria, eu vejo
vilas em chamas e castelos em ruínas
(o meu próprio reino)
palavras munidas de granadas, corvos fazendo um banquete e um trono de espinhos.
Paredes manchadas de um vermelho suspeito, ferroso
(meu)
buracos no teto no formato de punhos
e marcas de unhas no chão.
Isso escorrendo pelo meu rosto
não são lágrimas -
é veneno.
Não dê mais nem um único passo em minha direção.
Eu não posso te proteger enquanto uso toda a minha força para conter meus leões
(eles são adestrados, mas só até certo ponto).
Há uma revolução em chamas no meu peito e eu não posso lidar com ela com você olhando.
Me dê alguma coisa pra quebrar, alguma coisa pra morder e vire de costas. Você não quer ver o que eu faço com as minhas próprias costelas. Você não quer ver o que sai de mim pelas rachaduras da minha bondade. Eu também não quero.
Vá e esqueça que eu existo enquanto eu ateio fogo e gasolina em mim mesma.
Meu Deus,
eu gostaria de poder não ser eu.


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