4.6.20

O fardo de mais ninguém.

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Ultimamente só encontro paz nos braços da mulher que eu amo; em horas passadas nadando em lençóis com ela, um ou dois livros abertos conforme a noite passa. Nas mãos dela nos meus braços, no escuro de um chuveiro quente muito depois do pôr do sol. Ela é fácil e impossível de agradar, um fogo que se alastra rápido e engole tudo. Eu faço todas as suas vontades. Encontro-lhe os melhores doces, conto-lhe as melhores histórias, apresento as melhores músicas e tiro-a para dançar no meio do dia, no meio da sala-de-estar. Pela janela, um vizinho entediado provavelmente acharia graça ao ver uma garota dançando sozinha uma valsa antiga. Mas é assim que é. Eu (e eu).
Eu - tomando banho no escuro e lavando das minhas próprias mãos pecados que elas cometeram ao longo do dia. Perdoando meus próprios pecados, porque assim não tenho de implorar o perdão de ninguém. Porque assim o perdão de mais ninguém importa mais.
Eu - intocável, intocada, sentada numa cadeira de praia ao sol que eu transformei em trono na varanda. Meu reinado nunca desafiado.
Eu - confiando no meu próprio corpo até em seus piores momentos.
Eu - livre para amar quem eu quiser (e escolhendo eu mesma).
Eu - cedendo a todos os meus ímpetos.
Eu.
Uma vez na vida, 
só eu.

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