3.5.20

Recomeços sagrados.

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Longas noites e dias se passaram num lugar que eu não sei o nome e onde eu nunca quero voltar. 
Meu corpo inteiro pegava fogo, e eu queimava os lençóis e dissolvia toda a casa com essas lágrimas ácidas. Ninguém mais via a fumaça que me rodeava, e meus pulmões escureciam muito rápido.
Uma pulsação inominável me seguia, como um coração gigante em permanente taquicardia. Tudo latejava. 
Infindáveis dias e noites, 
até que
rastejei 
para fora do lugar que eu gostaria de não conhecer,
e mantive os olhos fechados por um longo, longo tempo.
E depois de horas me perguntando o que diabos aconteceu,
eu ouvi as estrelas dizendo 
"Não fuja disso.
Demoramos tanto tempo para te encontrar. Você pode soltar suas dores agora, e deixá-las irem. Demoramos tanto tempo para ensiná-la a escutar.
Abra os olhos".
Então eu os abri.
E agora tudo isso é uma clareira verde e gigantesca, cercada pelos cavalhos mais majestosos e as mangueiras mais carregadas. Sem espaço para chamas. 
"Isso
é você.
Seu novo rosto,
seu novo corpo,
sua nova voz.
Isso 
é você reinventada", as estrelas dizem suavemente.
"Você não precisa ter medo
do que vai encontrar aqui.
É tudo você
e você merece cada centímetro.
É tudo novo, 
e é tudo seu."

E eu, uma vez na vida,
aceito.

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